MONTALEGRE

(Aldeia do Outeiro)

A freguesia do Outeiro em extensão territorial é a terceira freguesia de Barroso, contando apenas quatro aldeolas.

Entra na conta das freguesias que bordejam a caraterística Mourela, além de Covelães, Paredes, Pitões, Tourém, e Randim (Galiza). Inicialmente a freguesia chamava-se Parada do Gerês, depois São Tomé de Parada, depois Parada de Outeiro e, finalmente, Outeiro , sempre sob o mesmo orago - que é e foi São Tomé. Merece referência o achado de Torques (jóias pré-históricas de oiro) encontradas na abertura da estrada de Outeiro a Parada do Rio, no sopé do Castro que liga com o rio Cávado.

Junta de Freguesia Outeiro
Junta de Freguesia Outeiro

Ser Pastor Por Um Dia No Outeiro

Na aldeia de Outeiro, em Montalegre, qualquer pessoa pode trilhar os caminhos que o pastor percorre diariamente e acompanhar o rebanho pelas pastagens da encosta da Serra do Gerês.

A ideia partiu de um casal que vive na aldeia. O percurso de cerca de 10 quilómetros inclui farnel e enchidos assados numa fogueira improvisada. A partida é na aldeia de Outeiro, por um caminho de terra junto à Casa Albelo do Gerês.

O percurso é acompanhado por Maria Carronda, da associação Mountain Riders. Ela diz-nos "O percurso em terra batida começa aqui junto ao Albelo do Gerês, depois atravessamos um ribeirinho, seguimos ao longo da barragem da Paradela e vamos até um lugar que se chama Gafaria. Aqui atravessamos uma ponte e passamos para o outro lado da serra. Subimos depois até um lugar que se chama Urzelo, onde estão as cabras e aqui o pastor abre as cortes, as cabras saem e vão comer. Aí acompanhamos o pastor com as cabras". João Fernando é o pastor que abraça este projeto, "Desde os 15 anos que faço isto e tenho 37. Gosto muito do que faço, fui criado com isto... o meu pai e a minha mãe sempre tiveram cabras".

O rebanho de cerca de 200 cabras é guiado pela cadela, a Campeã, estas seguem pela encosta da Serra do Gerês. A ideia de partilhar e mostrar a vida da aldeia do Outeiro partiu do casal Fernanda e Miguel Martins. Nasceram na aldeia, foram pastores, aos 19 anos emigraram e quase duas décadas passadas, decidiram regressar. Abriram um restaurante e um alojamento local.


Alojamento Local

Casa Albelo do Gêres 

Enquadrada no pulmão do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), a "Casa Albelo do Gerês" foi um sonho tornado realidade pelo casal Fernanda e Vítor Martins. Banhada pela barragem de Paradela, este projeto barrosão teve um investimento de 250 mil euros. Os empresários hoteleiros emigraram nos anos 90 para Inglaterra. Regressaram há cinco anos e não estão arrependidos.

Existem várias agências que permitem o agendamento neste alojamento local, tais como booking, arbnb, etc. 

Casa Albelo do Gêres
Casa Albelo do Gêres
Zona Interior
Zona Interior
Zona da Piscina-Exterior
Zona da Piscina-Exterior

Produtos regionais

  • Batata              

A batata é, ainda assim, o produto mais famoso de Montalegre porque é a melhor batata que há para consumo. Produziu-se batata de semente que era depois reproduzida com sucesso nas zonas mais quentes do país. 

Foram anos que quebraram décadas de pobreza extrema e até de criação de riqueza em Montalegre. A par desta produção fazia-se batata para consumo próprio. Realmente esta batata tem um aspeto e um paladar únicos. É tudo natural. É mesmo biológico, ainda que não certificada.

  • Cabrito de Barroso

O Cabrito do Barroso, com Indicação Geográfica Protegida, é vendido em lojas de produtos locais que vão sendo criadas pelo país, permite valorizar mais uma especificidade e oferecer ao consumidor produto certificado, garantindo a melhor qualidade.

A carne do Cabrito do Barroso é bastante famosa na região, sendo tradicionalmente assada em forno de lenha e toma o papel principal nas várias festas religiosas da região. Tradicional é também o hábito de utilizar o cabrito como prato principal, sempre que há convidados especiais, sobretudo na altura da Páscoa. Estes cabritos eram utilizados como presente de honra para obsequiar as entidades importantes como o médico, o padre ou as autoridades civis e militares.

  • Compotas

Recorrendo às diversas árvores de fruto, de produção biológica, que existem em Montalegre, começaram a produzir-se compotas distintas que se diferenciam pelo cuidado e carinho com que são feitas recorrendo não só a receitas ancestrais e métodos tradicionais, mas também pela qualidade da matéria-prima que contribuem para o sabor distinto destes doces.

  • Vitela Barrosã

Com o cunho dos prados verdes do Barroso, dos lameiros e pastos naturais, marcada pelo milho e pelo azevém semeados pelos produtores, esta raça nobre produz uma carne de excelência.

Por este motivo, no séc. XIX, muitas embarcações exportavam milhares de animais diretamente para a Corte Inglesa. Ainda hoje é vulgar encontrar-se a designação de "portuguese beef" em restaurantes londrinos, tendo a Carne Barrosã na sua origem.

A "Carne Barrosã" tem uma cor rosada a vermelha-escura, com gordura branca a branca suja, conforme se trate de vitela ou animal adulto.

A carne é deveras tenra, extremamente suculenta e muito saborosa.

O sabor, sensação complexa que se obtém pela combinação das caraterísticas olfativas e gustativas percetíveis durante a mastigação, mantém-se com excelente nota e muito semelhante em todos os pesos de abate. Esta característica, tal como a suculência deve-se em grande medida ao "marmoreado da carne" estando por isso correlacionada com a repartição da gordura e a sua composição lipídica.

Na realidade, estas valências, textura, cor, suculência e flavor, dão à "Carne Barrosã" uma qualidade ímpar.

Ângela, Fábio, Joana, Luana
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